Quando o adolescente com TEA parece “desligado”: o que pode estar por trás

Muitos pais e professores relatam a mesma situação: o adolescente parece distante, desinteressado, irritado ou isolado. Às vezes, ele passa horas sozinho no quarto, evita conversas ou reage de forma intensa a situações aparentemente simples.

Esses comportamentos costumam ser interpretados como preguiça, desinteresse ou rebeldia. No entanto, em muitos casos, o que está por trás dessas atitudes é sobrecarga emocional e sensorial.

O adolescente com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode perceber o mundo de forma mais intensa. Sons, luzes, interações sociais e mudanças de rotina podem gerar um esforço mental muito maior do que para outras pessoas. Isso significa que tarefas comuns, como um dia inteiro na escola, podem ser extremamente cansativas.

Ao chegar em casa, esse adolescente pode precisar se isolar, ficar em silêncio ou se envolver em atividades solitárias para recuperar energia. Esse comportamento não é falta de interesse pela família ou pelos amigos. É, muitas vezes, uma forma de autorregulação.

Outro fator importante é a dificuldade em identificar e expressar emoções. Muitos adolescentes com TEA sentem emoções profundas, mas têm dificuldade para colocá-las em palavras. O resultado pode ser silêncio, irritação ou crises emocionais.

Por isso, antes de interpretar o comportamento como “problema de atitude”, é importante considerar:

  • O ambiente está muito barulhento ou caótico?

  • O adolescente teve um dia socialmente exigente?

  • Houve mudanças inesperadas na rotina?

  • Ele teve tempo suficiente para descansar?

A compreensão do funcionamento emocional e sensorial do adolescente é o primeiro passo para ajudá-lo. Quando os adultos ao redor ajustam o ambiente e as expectativas, o comportamento tende a melhorar naturalmente.

O objetivo não deve ser “corrigir” o adolescente, mas sim entender o que o comportamento está tentando comunicar.